Carnet de vie

Português:
●11 de Março de 2015 – Vendo luzes… E pensar sempre na cabeça!
Primeiro que tudo, quando se vai fazer um estágio para outro país é importante sabermo-nos adaptar aos aparelhos de limpeza do local em questão (é que vamos numa tentativa de ajudar com as tarefas mais básicas e não corre bem). Posto isso:
Tentam-me explicar que, em relação ao movimento, há um espaço fascista (irónico!), ou seja devo submeter-me às exigências do espaço, criar o ambiente necessário para que ele se manifeste e impunha o imprevisto.
Em relação à cabeça… Concluo que para realizar uma espiral até ao chão, como me foi pedido, facilitar-me-ia não ter o resto do corpo.
Por hoje é tudo, dói-me a cabeça de pensar nela!

Inglês:
● 11 of March 2015 – Seeing lights and thinking always « in the » head!
First of all, when you go do an internship to another country is important to know how to adaptade ourselves to the cleaning mechanisms of this place (because you might go willing to help in basics chords, and than it not goes well at all). After this:
I was tried to be taught, in terms of movement, that there is an fascism (how ironic!), it means that I should submit myself to the space’s demands, create the environment needed that it shows up and requires the unpredictable.
In regards to the head… I conclude that for realizing an spiral to the floor, as it was requested me, it would help me not having body.
It’s all for today, my head aches for thinking on it.

11 de Março

Português:
●12 de Março de 2015 – Criação de tudo no mesmo espaço – monopólio artístico.
Hoje vi técnicas de criar cabelos de todas as épocas, técnicas de pintar e adornar roupa para todas as ocasiões, técnicas de construção de esculturas e casas (quase) de verdade, confecção de sapatos e cintos, tudo para se plantar num palco, da maneira que se entender. Máquinas, ainda, preparadas para o efeito e isto tudo num mesmo espaço. Ópera Bastille.
A cabeça continua, agora a tentar separar-se do corpo, ou a enterrar-se nele.
Inglês:
●12 of March 2015 – Creation of everything in the same place – artistic monopoly.
Today I saw the technique of creating hair from all the times, techniques of colouring and adorning clothes for every occasion, techniques of sculpture’s construction and house’s building (almost) real, confection of shoes and belts, everything to plant on a stage, in the way they desire. Machines, yet, prepared to this purpose, and all of this in the same place. Ópera Bastille.
The « head » keep on going, now trying to separate it from the body or burying itself on it.

Português:
●13 de Março de 2015 – Não se constroem palcos a pensar nos artistas.
Partes técnicas do espectáculo: O Óscar é frágil, ficou sem meia perna. Tivemos que colá-lo para ver se fica apto a ir para cena amanhã.
Os técnicos dos teatros podem ser simpáticos e prestáveis.
A arquitectura das salas de espectáculo é, com grande frequência, péssima. Este factor provém de iniciativa política, alheia a qualquer fundamento artístico ou à prática do espectáculo (fui informada!).
Inglês:
●13 of March 2015 – Stages are not builded thinking about the artists.
Technical part of the show: Óscar is fragile, he lost half a leg. We had to glue him back to see if he will be able to go on stage tomorrow.
The theatre technicians can be very nice and helpful.
The showcase’s architecture are, frequently, terrible. This factor come from politic’s iniciative, devoid from any artistical grounds or knowledge about practise of performative work (I was informed!).

Português:
●14 de Março de 2015 – Comida com fartura e respirar às prestações.
Hoje esperamos, esperamos, ensaiamos, esperamos, havia comida, doces e salgados, esperamos…Numa sala com piano.
Estes dias, estes tratamentos fazem parecer a coisa mais fácil (a componente que as pessoas tendem a achar que se resume “dançar” ou “ser artista”).
Comida a mais, na verdade… Grande promoção do desperdício.
Não consigo forjar a energia do público, certas coisas só se proporcionam no momento.
Foi uma óptima experiência estar parcialmente asfixiada em cena.
Ahhh: Há quem tenha a sensibilidade de detectar, ao chegar a um palco, se já se fez sexo ali (que acontece « mais vezes do eu imagino »).
Inglês:
●14 of March 2015 – Food in plenty and breathing in installments.
Today we were waiting, waiting, waiting, waiting, rehearsed, waiting, there were food, sweets and salty, waiting, in a room with piano.
This days, this treatments make the thing looks easier (the component people tends to think that « dancing » and « being an artist » is resumed to).
Too much food, in fact… Big promotion of wastage.
I’m not able to forge the audience’s energy, some things are just offered in the moment they happen.
It was an great experience to be partly stifled on the scene.
Ahhh: there’s who got the sensibility of detecting, when arriving to some stages, If ever someone had sex in that place (that happen « more often than I imagine »).

Português:
●16 de Março de 2015 – Reunião: conhecendo os projectos da companhia.
Neste momento a companhia tem 9 projectos em curso e… uuuuuuuuuuuuuuuufffffff!
É provável que tenha desenvolvido um pouco o Francês hoje.
Inglês:
●16th of March 2015 – Reunion: knowing the company’s projects.
At the moment there’s 9 projects the company has underway and…uuuuuuuuuuuuuuuufffffff!
It is quite probable that I had developed a little my French today

Português:
●17 de Março de 2015 – Os palhaços não sobrevivem à bomba atómica.
Ensaio da companhia de clown, que criam armas de Guerra, castelos e OVNIs com utensílios de cozinha.
A maquete do livro virtual do Pathos está feita. Dá vontade de experimentar (não quero explicar de que se trata).
Inglês:
●17tf of March 2015 – Clowns do not survive the atomic bomb.
Rehearsal of clown’s company, that create war arms, castles and OVNIs with kitchen gadgets.
The book’s virtual model of Pathos is done. Made me want to try (I don’t want to explain what is about).

Português:
●18 de Março de 2015 – Spirulina dá energia.
Spirulina é uma microalga, já os aztecas a consumiam. Inibe a fome (importante) e possui elevado teor em proteínas. É útil como fonte de energia e desintoxicante, tem mais mil coisas boas a seu propósito que não vou relatar, mas é considerada o alimento mais completo conhecido. Ensinaram-me isto hoje e também pude constatar que cheira mal que se farta.
Tocar músicas de embalar com um violino entre as pernas (de rabo espetado para o público), guitarra eléctrica e sapateado ao mesmo tempo pode resultar soberbamente… Também descobri hoje!
Inglês:
●18th March 2015 – Spirulina gives energy.
Spirulina is a microalga, the aztecas had the habit to consume it. It inhibit the hungry (important) and possesses a high level of protein. Is useful as an energy source and a detoxifying agent, there’s a thousand good things about it that I’m not going to list now, but is considered the most complete feedingstuff known. I was taught this today and I could also test that it smells terribly.
Playing bedtime songs with a violin between the legs (with the bottom sticking out for the audience), electric guitar and tap-dancing and the same time could work out superbly. I also found out today.

Português:
●19 de Março de 2015 – Crianças pela manhã.
Se já me custava tratar de crianças em ambiente de férias (quando trabalhava num Resort) sem obrigações e com sol, aqui o cenário agrava-se substancialmente: 8:30 da manhã, está frio de rachar, crianças de 4 anos são obrigadas a ir para a escola e são MUITOS sem doces e piscina… AH não sei falar a língua deles, ainda não compreendi se isto reverte a meu favor ou não. Exalto-me por dentro.
Distribuí flyers, vi um rapaz a cair de bicicleta!
Inglês:
●19th March 2015 – Kids by the morning.
If dealing with kids on a vacation environment were already hard for me (while working in a resort) without obligations and sun, here the scenario becomes substantially worse: 8:30 am, is freezing, 4 years old children are forced to go to school, and they’re MANY without candies or pool … AH I can’t speak their language, I didn’t understood yet if this returns in my favor or not. I lose my temper inside.
I distributed flyers, I saw a boy splattering with his bike !

Português:
●20 de Março de 2015 – Criei um evento no facebook.
Em relação ao título é só mesmo isso (nunca precisei de fazê-lo antes).
Agora, o meu resumo da minha tradução do texto que li toda a manhã:
Texto original: Benoît Gazzal;
Coreografia e concepção de vídeo: Haim Adri;
Antes a terra era redonda e nua.
Antes brilhava o Sol e brilhava a Lua.
A Lua pequena e bela, com o Sol ao seu lado que a desejava, inflamando-a com o seu amor.
A Lua tinha tanto medo do brilho do Sol a consumi-la que se escondia dele.
Então um dia a Lua começou a arredondar-se num grande círculo.
O Sol ao ver que ela perdia a sua forma enchia-se de cólera.
Ao fim de um mês a Lua cheia expelia de dentro de si uma sombra negra e majestosa, era uma besta coberta de um grosso e massivo manto de pêlo escuro – foi a primeira Noite!
O sol com a sua raiva começou a lançar terríveis raios que penetravam e rasgavam a carne da besta.
Assim, a atravessar a Noite, podemos ver brilhar a luz. A estas feridas cintilantes chamamos “estrelas”.
(…)
Todos os meses a Lua voltava a encher-se, o seu interior pesado originava grandes Nuvens de emoção contraditória.
As Nuvens choravam quando o Sol e a Lua se encontravam. A estas lágrimas chamamos Chuva.
Ao cair sobre a terra as lágrimas vinham tão cheias de vida que criaram o mundo como ele é.
Depois chegou o dia em que uma destas gotas caiu num folha que tocou o mar e foi aquecida pelos raios do Sol.
Este sorriso do Sol (arco-íris) fez nascer quatro ancestrais:
O Sapo, o Lobo, a Ave e a Serpente.
Todos copularam entre si, então os seus interiores foram habitados e carregaram todos os animais que existem na terra.
Quando ficaram exaustos e o coração já mal batia separaram-se.

Os originários dos ancestrais herdaram a raiva do Lobo, o medo da Ave, a inveja da Serprente e o amor do Sapo.
Depois os ancestrais foram morrendo um a um.
O primeiro foi o Lobo, que com o seu último suspiro fez nascer a mulher e o homem, nascidos como gémeos.
Ficaram sozinhos no frio e na escuridão, agarrados e privados de leite e atenção.
Desta situação surgiu uma necessidade de comunicação “gritante”, a partir da qual se começaram a desenvolver os princípios da fala e da expressão.

Inglês:
●20th March 2015 – I created a facebook event.
About the title is exactly just this (I never need to make it before).
Now, the summary of my translation from the text I read all morning:

Original Text: Benoît Gazzal;
Video conception and Choreography: Haim Adri;
Before the Earth was round and naked.
Before had shone the Sun and shone the Moon.
Small and beauty, the Moon, with the Sun by her side that desired her, inflaming her with his love.
The Moon was so scared of the Sun’s shine consuming her that she hide from him.
The sun seeing that she was losing her shape, filled himself in cholera.
In the end of a month the full moon expelled from inside her a majestic dark shadow, it was the beast covered in a thick massive cloak of dark fur – It was the first night!
The Sun with his terrible anger started launching lightnings that penetrated and ripped the beast’s flesh.
Like this, crossing the night, we can see shine the light. To this twinkling wounds we call « Stars ».
Every month the moon filled up again, her heavy inside culminated in big clouds of contradictory emotion.
The clouds cried when the sun and the moon met. This tears we call « Rain ».
Falling down the Earth the tears arrived so full of life that they create the world like it is.
Than it arrived the day that one of this drops felt in a leaf that touched the sea and was warmed by the Sun rises.
This Sun smile (rainbow) made born four ancestors:
The Frog, the Wolf, the Bird and the Serpent.
All of them copulated between themselves, so their insides were inhabited and crried all the animals that live on Earth.
When they got exhausted, and their hearts were almost not beating, they fell apart.
The originating from ancestors have inherit the anger of the Wolf, the scare of the Bird, the jealousy of the Serpent and the love from the Frog.
Than the ancestors started dying one by one.
The first one was the Wolf, that with his last breath made born the woman and the man, borned like twins.
They were alone in the cold and darkness, clinging to eachother and deprived of milk and care.
From this situation borned the glaring need of comunication, from which they started to develop the principles of the speech and of expression.

Português:
●24 de Março de 2015 – Mas e o público??
Não há como descurar, ainda que contra certas teorias, que o público é parte indispensável e especial do espectáculo!
Esta imprevisível, não ensaiável, componente que determina tanto do momento alfa a que nos propomos:
“Será que vão aderir?
Farão isso?
Sentir-se-ão invadidos se fizermos aquilo?
Será que respondem assim ou assado?
E nós, o que fazemos se acontecer assim?
Vamos a favor?
Vamos contra?
Ficamos neutros? “
Sabe-se lá, mas podemo-nos preparar para eventualidades… Hoje este esforço foi prioritário.
Inglês:
●24th of March 2015 – But what about the audience??
There is no way of disregards, even against certain theories, that the public is an essential and special part of the show!
This unpredictable, not assayable component, which determines so much of that alpha moment, for that we propose ourselves:
« Must they be adhering it?
Will they do this?
Could they feel invaded if we do that?
Would they answer this or that?
And us, what should we do if is happens like that?
We go in favor?
We go against?
We stay neutral? »
We will never know, but we can prepare for eventualities … Today this effort was an priority.

Português:
●28 de Março de 2015 – O dia… Cortar legumes infinitos, imprevistos, gente simpática!
O que eu gostei mesmo deste Équinoxe foi que, para além do usual stress que antecede uma apresentação/show , juntaram-se as tarefas do anfitrião que prepara uma festa para 50 pessoas. Isto tem tanto de divertido como de assustador (para mim teve – especialmente porque me sinto uma anormal a calcular e gerir o tempo nestes momentos).
Uma vez mais na questão fundamental do público e da sua natureza: Eu não fazia ideia que pessoas vinham ao evento, mesmo vários sendo conhecedores do trabalho do Haim, não sabia o que esperar, em que medida participariam, ou alterariam o curso da coisa. A própria performance em si é uma incógnita (especialmente construída nestes termos), porque só será no momento e sempre diferente se repetida.
Esta classe de coisas inteligíveis não interessa relatar, porque para mim são exactamente nascidas para se usar, como uma pastilha elástica… Mascar, mascar a substância que ali se encerra e depois fica um outro corpo, um resíduo que nunca mais será o antes.
Sorte a minha que a mastiguei, mastigamos todos os que aqui estiveram um sabor de “gama” diferente!
Gosto de pessoas variadas, de personagens e de pseudo-realidades e tenho pena de quem não o experimenta…

Inglês:
●28th of March 2015 –The day… Cutting endless vegetables, unexpectations, nice folks!
What I really loved on Équinoxe was that, besides the usual stress preceding an presentation/show, it joined the chores of an host that prepares a party for 50 persons. This has much of funny as scary (for me had – especially because I feel like a fool calculating and managing the time at this moments).
Once again about the essential issue of audience and their nature: I Had no idea about what kind of persons were coming to the event, even if many were familiar with Haim’s work, I didn’t know what to expect, in which way they would participate, or change the ongoing of the thing. The performance itself is an unknown (especially created in those terms), because it will just be in the moment and always different if repeated.
Doesn’t matter to report this class of intelligible stuff, because for me they’re born exactly to be used, like a chewing gum… Chew, chew the substance that it contains inside, and than it became another body, a residuum that will never be the before.
Lucky me that chewed, we chewed all of us that were there, a different taste of gum.
I like ranges of persons, characters and pseudo-realities and I feel sorry for the ones who don’t experience it.

Português:
●01 de Abril de 2015 – Coisas que acontecem no meu corpo…
Vazios e preenchimentos díspares contidos numa massa não muito vasta (que neste caso é a minha)… Sensações ténues, abstractas que acabam por dominar mais do que gostaríamos, mais do que eu gostaria, pelo menos enquanto não as percebo.
É como um ensinamento, o que vai acontecendo aqui dentro, mas ao contrário, porque se sente acontecer mas não se compreende. O oposto da tese, a prática sem sustento da teoria. E não, se nem eu entendo não me vou esforçar por ser coerente nestas palavras. Mas há paranóias a acontecer de dentro para fora do meu corpo!
Inglês:
●01st of April 2015 – Things that happen in my body…
Emptinesses and fills disparate, contained in a mass not to vast (that in the case is mine)… Tenuous sensations, abstract that end up dominating more than we would like, more than I would like, at least while I’m not understanding it.
It’s like a teaching, that goes occurring here inside, but backwards, because is felt like happening, but not understood. The opposite of the thesis: the practise without the theory support. And no, if even nor I understand I will not effort myself to be coherent in this words. But there is things happening from inside out of my body.

Português:
●03 de Abril de 2015 – Sentir anatomia noutro corpo (não encontro partes).
Experimentando massagem, encontrando músculos, ossos, tensões/energias… Nova abordagem do toque.
Inglês:
●03rd of April 2015 – Feeling the anatomy in other body (I can’t find parts).
Experiencing massage, finding muscles, bones, tensions / energy … New touch approach.

Português:
●08 de Abril de 2015 –Uma madeira imperativa, o objecto que comanda a dança.
Ser-se passivo/Acivo… Ou bem uma ou bem a outra, porque as duas em simultâneo é o drama!
O princípio deste estudo é utilizar um bastão de madeira leve (relativamente, para mim) a fim de construir movimento.
Numa primeira fase, utilizando só 2 dedos para segurar, foi-me proposto mexer só e de acordo com o que o movimento do bastão “mandar” (segui-lo).
O desequilíbrio criado pelo sustento do fulcro (dedos) e a força gravitacional encarregam-se de movê-lo no espaço imprevisivelmente. O corpo que acompanha deverá reagir em resposta a isso.
Fazê-lo de olhos fechados também porque se me acertar “it’s ok”.
Fizemos também um exercício de dança com foco “nas costas” ou no que está atrás delas enquanto nos mexemos. O pau, seguro por outra pessoa que sengue quem dança, faz uma espécie de “asas” fixas contra a coluna.
O prossuposto é adquirir a sensação de tridimensionalidade do que existe atrás de nós e que está conectado às nossas costas e espaço, imaginar e projectar esta massa que se repercute do movimento, quando dançamos.
Como que atirar estas sombras, agregadas ao corpo, no espaço.
Acho que tudo isto não é muito “escrevível” . foto
Inglês:
●08th of April 2015 – A wood that’s imperative, the object that commands the dance.
Being active/passive… Either one or another, because both together is the DRAMA!
The principle of this study is using soft wood stick (relatively, for me) in order to create/promote movement.
On a first phase, using just 2 fingers do hold it, I was told to move just and according with what the stick movement « say » (follow it).
The imbalance created by the fulcrum support (fingers) and the gravitational force take charge of moving it in space unpredictably. The body that follow must react just in answer to that.
Making it with eyes closed also, because if it hit me « it’s ok ».
We did also an exercise focusing the back or in everything that’s behind the dancer’s back wile we move. The stick, holded by someone else that follow who dances, build a kind of wings attached to the column.
The main goal is acquire a tridimensionality feeling of what is behind us and the mass attached to our back and space, imagining and projecting this mass for the space, wile dancing.
It’s like throwing shadows, aggregated to the body, in the space
I think all of this is not very « writeble ».

8-de-Abril-Paulo-Medeiros1

8-de-Abril-Paulo-Medeiros2

Português:
●09 de Abril de 2015 –Trabalhar no jardim com sol!
A continuar o estudo de ontem: A coisa é estar num estado de passividade em relação ao bastão, sendo que é necessária uma postura activa também em certos momentos.
Como saber quando aplicar o quê?
Não se sabe! É fazer até sentir o equilíbrio natural (digo eu, que para já não sinto é nada senão raiva do bastão).
Hoje a cena correu melhor – Muito movimento da minha parte, que promove ainda mais movimento ao bastão, que me dá ainda mais movimento… Mas parece-me que em todo este processo eu activa em demasia.
As crianças, também imprevisíveis como o bastão, estiveram exemplares hoje. A semana passada “não se podia” com elas. Pareciam outros, a executar o que aprenderam, receberam palmas, ficaram felizes.
Ahh, o sol nos últimos dias também tem tido parte activa e revitalizante no trabalho – esta última táctica fui eu que apliquei por carência do mesmo.
Inglês:
●09th of April 2015 – Working in the garden with sun!
Continuing the yesterday study: The thing is being in a passive state in relation to the staff, knowing that is also need an active stance in some moments.
How to know when applying what?
We don’t know! It’s doing it until feel a natural balance (I saying it, besides not feeling anything now than anger of the the piece of wood).
Today the thing went better – A lot of movement of me, that promotes even more movement from the stick, that gives me even more movement… then in all os this process I think I’m too much active.
The children, also unpredictable as the stick, were exemplary today. Last week no one could stand them. They looked others, executing what they learned, received applauses, got happy.
Ahh, the sun in the last days has been having an active position and revitalizing in the work – This last tactic I applied for need of it.

Português:
●13 de Abril de 2015 – “Novo projecto: vamos construir uma máscara, vai para a rua procurar objectos!”
Encontrar objectos na rua, que não (só) lixo, não é fácil. Para além disso a atenção que implica tornou-me um misto de curiosa/sem-abrigo – esta postura abriu-me os sentidos e colocou-me uma relação próxima com as muitas fezes das ruas de Champigny-sur-Marne, pelo que quero aqui prestar uma pequena homenagem que acho que traduz o meu dia:
Vi merda clássica de cão feliz,
Uma museológica e anciã.
Outras apelativas com brilho-verniz
Ou torcidinhas tipo novelo de lã.
Merdas artísticas, trabalhadas
também esguias com ar de lampreia.
As vezes jovens e recém-formadas
E merda gomosa da gonorreia!

Inglês:
●13th of April 2015 – “New project: let’s build a mask, go to the street search for objects.”
Find objects in the street, each’s not (just) garbage, is not easy. Besides the attention it implies, it made me a mix of curious/homeless – this attitude has opened my senses and puted me in a close relationship with the several faeces in the streets of Champigny-sur-Marne, for what I’d like to pay a small tribute that I think reflects my day:
From a merry dog classical shit I saw,
One of ancestral and museological awe,
Yet others appealing with glittering varnish,
Or wound up so to a ball of yarn law.
Arty shit and worked on shittings
Likewise skinny with lamprey biddings,
Sometimes young and newly-formed still
As well as gonorrhoea’s rubbery stoolings!

Português:
●14 de Abril de 2015 – Experiência muito agradável de colecta de material. Cleptomania.
Geri o dia, a premissa era continuar a busca de material na rua, esteve sol, apelativo.
A determinada altura, o entusiasmo e o foco é tal, que me esqueço que há coisas que são das pessoas. Estão nos quintais ou nos parapeitos das janelas, mas por segundos parecem-me perfeitos objectos para a máscara, feitos para integrá-la. Coíbo-me com os olhares reprovadores dos transeuntes.
Os avisos nos canteiros e sinalética de estrada também me despoletam um ímpeto de possessão evidente (já não sei até que ponto este estágio é boa ideia para o meu desenvolvimento moral e ético!).
Inglês:
●14th of April 2015 – Very pleasant experience of collecting material. Kleptomania.
I ran the day, the premise was continue the quest of material in the stress, was sunny, appealing.
At some point, the enthusiasm and the focus are such, that I forget that are stuff that belong to others.This stuff is on the gardens or in the windowsill, and it look to me, for a couple of seconds, perfect objects to the mask, like they were made to be used for the mask. I restrain myself by the disapproving passersby eyes upon me.
The flowerbed warnings and street signposting also trigger a clear possesion impetus on me (I’m not sure anymore if this internship it’s a good thing for my moral and ethical development).

Português:
●16 de Abril de 2015 – Finalizando detalhes da máscara e aprendendo como suspender um objecto “descompensado”.
E, porque nenhum grande projecto é “acabado” quando se prevê, lá surgiu necessidade de continuar a tarefa preenchendo os mais ínfimos espaços de tudo.
O Haim criou uma engenhoca género “Tom and Jerry”, que eu nunca achei que fosse resultar, para suspender a máscara. Espectacular!!
Não tem piada relatar, portanto deixo um vídeo para mostrar o meu sentimento perante isto!
vídeo
Inglês:
●16th of April 2015 – Finishing details of the mask and learning how to hold a “decompensated” object.
And, because any greatproject is « finished » when it’s expected, appeared the need of keep on going filling in every slightest space with everythig.
Haim created a contraption kind of « Tom and Jerry », that I have never tought could work out, to hold the mask.
It’s not funny to describe it, so I leave a vídeo that show my feeling faced with this.

Português:
●20 de Abril de 2015 – Experienciando “de dentro” ou que gosto de observar “de fora”.
Mudar de peles e figurinos é sempre algo que me diverte, só não gosto de ficar muito tempo parada.
Toda a “cabeça” daquela máscara falava por si, se bem que encontramos alguns corpos que completaram bem a paranóia.
Inglês:
●20th of April 2015 – experiencing from « the inside » what I like to observe « from the outside ».
Changing skins and costumes is something that always amuse me, I just don’t like to stay stopped for a long time.
All of the « head » of that mask spoke by itself, though we could found some « bodies » that completed pretty well the paranoid.

20-de-Abril

Português:
●27 de Abril de 2015 –Há falos erectos destacados em todas as grandes cidades.
Hoje, ao expor a minha admiração ao Haim sobre a atracção dos homens pela Torre Eifel, pela sua forma fálica (algo que me foi dito), fui apresentada a uma verdade mundial que desconhecia…
O haim sustenta, com exemplos do Google, o facto de todas as grandes cidades do mundo terem o seu falo de eleição distinguido arquitectonicamente, facto que afirma ser exactamente o oposto do que acontece na arte – nunca (do conhecimento genérico pelo menos) um falo se apresenta erecto em qualquer que seja a obra de arte! Já na arquitectura citadina, ainda que a cidade seja repleta de edifícios, há aquele edifício-falo que ao seu redor tem construções todas a um nível muito mais baixo, precisamente destacando o seu cariz peniano-imperativo.
Vivendo e aprendendo!
Inglês:
●27th of April 2015 – There’s erect phallus evidenced in every big town.Imagem
Today, exposing my admiration to Haim about the men’s atraction for Torre Eifel, by the phalic form (something that was told to me), I was presented to a mundial truth that I was not aware…
Haim supports, with Google exemples, the fact that every big city of the world has their phallus of choice architecturally distinguished, a fact that he claim being exactly the opposite of what happen in art – never (in the generic knowledge, at least) an erected phallus presents itself in any art piece or work!
By other hand, in city architecture, even if filled with buildings, there’s that phallus-building that around itself has all the other constructions in a lower level, which emphasis precisely the imperative-penile character.
By other hand, in city architecture, even if filled with buildings, there’s that phallus-building that around itself has all the other constructions in a lower level, which emphasis precisely the imperative-penile character.
Live and let learn!

Português:
●28 de Abril de 2015 –O público criador – Partilha de histórias
Um colectivo de 8 artistas junta-se, esta semana, para compreender e estudar a posição do público na performance, de forma a construir dispositivos que o tornem criador e não apenar observador.
Entre os artistas, dentro dos seus próprios exercícios de exploração, denota-se facilmente os momentos de “estrelato”, quando o performer cede a outro espaço para a sua fala/para o seu gesto/para o seu momento. A partir destas observações propõem-se variadas sugestões de exercício (simulação de performance) a fim de compreender a reacção e integração do público nos mesmos. Alterna-se assim entre o grupo o papel de público-performer durante o dia, experienciando as duas vertentes e debatendo-as.

Inglês:
●28th of April 2015 – The audience as creator, sharing histories.
A colective of 8 artists is joining this week for stufying and understanding the position of the audience in the performance, in order to build devices that make them became creators and not just viewers.
Between the artists, inside their own exploration exercises, it’s easy capture the stardom moments, when the performer cedes to another space to the line/for the gesture/for their moment. From this observations many sugestions of exercises are proposed (performance simulations) with a view to understand the public reaction and integration on it.
This way, the team alternates, during the day, the role between audience/performer (hosts), experiencing both slopes and arguing them.

Português:
●29 de Abril de 2015 –Composição em tempo real/ teatro dos oprimidos.
Este segundo dia focou-se, mais do que na experimentação, em como colocar o performer no mesmo pé de igualdade que o público. Fazer, no fundo, o público não conhecer até que ponto o performer o é ou não e, inevitavelmente, a partilha de ferramentas alusivas a este estado.
Inglês:
●29th of April 2015 – One time composition/ Oppressed’s theatre
This second day was focused, more than experimentation, in how to put the performer in an equal footing with the audience. Do, on the bottom, the audience not know (or feel) if the performer is it or not and, inevitably, sharing the necessary tools for that.

Português:
●30 de Abril de 2015 – Os “maus bocados” de partilhar casa.
A invasão/incómodo que, por vezes, se sente quando divididos a casa com alguém, surgiu como uma metáfora para a partilha de espaço entre performers e público – espaço criativo com estes dois elementos.
As coisas que não ficam no lugar, os pêlos na casa de banho, o incumprimento de tarefas ou a obrigação das mesmas foram partilhadas entre o colectivo (dividido em dois grupos), que ponderou a mediação destas situações e se propôs a apresentar duas propostas de performance que acontecessem num ou para um apartamento.
Inglês:
●30th of April 2015 – The « hard time » of sharing houses.
The invasion/inconvenience that, perhaps, we feel when we share house with someone, appeared as a metaphor for the space sharing between performers and audience – creative space with this two elements.
The things that are not in the place, the hairs in the bathroom, the non-compliance of chores or the obligation of them were shared between the collective (divided in two groups), that considered the mediation of this situations and proposed themselves to present two possibilities of performance that could happen in or for an apartment.

Português:
●4 de Abril de 2015 – Workshop de photoshop com o “patrão”.
O Haim sugeriu-me a criação de várias possibilidades de espaço cénico – imaginar diferentes formas de dispor público e performers no espaço e criá-lo graficamente no Photoshop (aii que ódio supremo que tenho a estas coisas, formação simplificada mas intensa, para mim!).
Nesta composição deveria também idealizar que sensações esta disposição traria ao público e artistas, como se materializaria energeticamente, baseando-me em quatro coordenas:
●Geometrique;
●Dramaturgie;
●Links;
●Identification;
Inglês:
●4th of April 2015 – Photoshop workshop with the “boss”.
Haim suggested me the creation of a number of scenic space possibilities – imagine difrent ways of dispose the audience and performers in the space and create it graficaly in Photoshop (AII what a supreme hate I have to this stuff… Simplifyed formation but stressing, for me!).
In this compositions I should also idealize which sensations this organisation would bring to the audience and the artists, how it would be materialized energeticaly, basing myself in four coordinates:
●Geometrique;
●Dramaturgie;
●Links;
●Identification;

Português:
●6 de Abril de 2015 – Salons du Moulin Brûlé; arte de rua.
O Haim mandou-me para um evento/conferência num espaço lindo e verde com águas que caiam por paredes de vidro.
Pessoas com cargos importantes, variadas esteticamente (muito) entre si. Um anfitrião que parecia o grilo falante do Pinóquio humanizado, vestido como que para dirigir uma orquestra; um mediador de mesa com um outfit de filme western; uma senhora que parecia acabada de chegar do Woodstock…
Vamos ao que interessa, daquilo que percebi: A valorização da arte de rua, como abrange numérica, etária e socialmente massas, os valores atribuídos para isso, a insuficiências dos mesmos, mecanismos de produção artística para o fim, preparação precedente, etc…
Soube-me bem a defesa convicta, apesar de não perceber metade.
As vezes desiludo-me com a mentalidade Francesa… Mas invejo muito a possibilidade de viver arte.

Inglês:
●6th of April 2015 – Salon du Moulin Brûlé; street art.
Haim sent me to an event/conference in a beautiful green space with water falling through glass walls.
People with important positions, aesthetically various (a lot) between them. An host that looked the talking cricket of pinocchio humanized, dressed as he were direct an orchestra; and table mediator with an outfit of a western movie; a lady that looked had finished to arrive from Woodstock…
Let’s go to what matter, for what I understood: The valorization of street art, how it covers numerically, in age terms, and socially big masses, the values given for this, the insufficient of them, mechanisms of artistic production, the previous preparation of all of this, etc..
It felt good this convict defense, although I couldn’t understand most of it.
Sometimes I disappoint me with the French mentality.. But I envy a lot this possibility (and making work) for living by art.

Português:
●7 de Abril de 2015 – Centre National de la Danse – todo um mundo!
Muito, muito, muito bem recebida neste espaço. Imensa predisposição profissional na resolução de tarefas, com simpatia (não frequente).
Uma mediateca gigante SÓ PARA DANÇA, um espaço de se perder horas…
Abri um livro de street art ao acaso, encontrei um testemunho de um artista que foi ao Faial fotografar e apanhou o sismo de 1988. Casualidades da pequenez de ilhéu!

Inglês:
●7th of April 2015 – Centre National de la Danse – A whole world
Very, very, very well received in this space. An huge professional predisposition solving tasks, with sympathy (not frequent) .
A giant mediatheque JUST FOR DANCE/ART, a space where we can lose hours…
I opened a book of street art randomly and found a testemony of an artist that went to Faial to photograph and experienced the earthquake of 1988. Casualties of the smallness of being islander.

Português:
●11 de Maio de 2015 – Festa cega. Festa de diferentes sentidos.
De entre as proposições de performance experimentadas pelo colectivo a minha preferida, sendo público, foi a “soirée” de olhos vendados.
Antes de entrar, o público era informado que havia recebido uma mensagem para uma festa, mas não conhecia ninguém, posto isto os olhos eram vendados e entravamos no espaço, com a ajuda de um performer.
Neste caso o performer tem um importante papel de guia e de mediador, a fim de introduzir o público no ambiente da cena – sentavam-nos, perguntavam se queríamos beber e apresentavam-nos a outras pessoas, estimulando a nossa “participação”.
Para mim este dispositivo funcionou muito bem porque, pelo facto de deduzir que as outras pessoas também não conseguiam ver, colocava-nos num misto de conforto (por não ser observados em interacção) e de cumplicidade, na tentativa de perceber com as restantes pessoas o que acontecia na sala.
As ventoinhas (vento) e a água na “varanda” (chuva), foram pormenores sensoriais aplicados muito estimulantes, para mim, uma vez privados do sentido que mais usamos. Estes factores contribuíram para a criação de uma cena que, apesar de em participação mutua, o público experienciaria de forma diferente do performer, assentado aí, para mim, a curiosidade do dispositivo.
Foi discutido pelo colectivo a necessidade de considerar o diferente público e a possibilidade de estarem acompanhados (namorados/companheiros), podendo numa situação real colocá-los não dispostos a aderir da mesma forma à interacção com outrem.

Inglês:
●11th of May 2015 – Blind party. Party of different senses.
Within the performance propositions experienced by the collective my favourite, as audience, was the « soirée » with eyes closed.
Before going in the audience were informed that they had received a message inviting for a party, but they didn’t knew anyone, after this our eyes were blindfolded and we went in the space helped by a performer.
In this case the performer as an important guide and mediator role, with the aim of intruducing the audience to the scene’s ambience – they sat us, asked if we wanna to drink and introduced us to other people, estimulating our « participation ».
For me this devise worked out really good because, by supposing that the others also couldn’t see, we felt a mix of confort (for not being observed in interaction) and cumplicity (by trying to understand with the others what were happening in the room).
The electric fans (wind) and the water in the fictional balcony (rain) were, sensorial details aplied, very estimulating for me, once deprived of the most used sense. This factores helped to create a scene that, although in mutual participation, the audience experienced in a diffrent way than the performers, setting here, for me, the curiosity of the device.
The collective talked about the necessity of considering the diversity of the audience and the possibility of being with someone (boy/girlfrind;husband/wife), that may, in a real situation, not put themselves available to adhere in the same way to the interaction with someone else.

Português:
●12 de Maio de 2015 – Massacre do público – perguntas embaraçosas
O experimento de “forçar” o público a responder a perguntas embaraçosas foi polémico.
Neste exercício o público era colocado numa posição em que se sentia obrigado, pela agressividade dos performers, ou pela determinação com que executavam, a responder a perguntas de cariz íntimo e sensível. Independentemente de fazê-lo participar/ser parte activa da cena, não promove um espaço para a sua opção ou escolha, eu acho!
Assim volta-se à questão “público como criador”/Participante não pode ser dissociado da possibilidade do mesmo não querer fazer parte, sendo este já por si também o exemplo primeiro da sua decisão – a recusa em pertencer a determinado momento.

Inglês:
●12th of May 2015 – Audience’s massacre – embarrassing questions.
The experiment of forcing the audience to answer to embarassing questions was polemical.
In this exercise the audience was placed in a way that they felt obeyed, by the agressivity of the perfomers or for the determination they played, to answer question of intimate and sensitive nature. Independently of doing them participate/be an active parte on the scene, it didn’t promote space for their option or choice, I think!
Therefore we came back to the question « audience as creator »/participant, that can’t be decoupled from the possibility of not wanting to be part, being this by itself also an first example of their choice – the refusal to belong to a certain moment.

Português:
●13 de Maio de 2015 – Testando com o público de verdade.
É engraçado notar que o público, quando proposto a criar uma simulação de performance para outros, atreve-se a muito mais experiências do que provavelmente gostaria de receber.
Esta foi a percepção que tive ao observar 10 pessoas, não actores – público “normal”, a construir um dispositivo experimental para outros 10.
Talvez porque quando conhecemos o propósito e temos uma ideia interactiva validamo-la como justificativa do risco, sem ter em conta o que estas “cobaias” desconhecedoras poderão sentir.
No trabalho do colectivo, parece-me, o estudo foi precisamente de acordo com isso, mas em sentido oposto : sobrepor os sentimentos e atitudes do público ao sucesso de um mecanismo e ter em conta que este mecanismo (seja qual for) irá mover-se de acordo e com o público e não o contrário.

Inglês:
●13th of May 2015 – Testing with the audience for real.
It’s funny to notice that an audience, when proposed to crate a simulation performance for others, dares to too much more experiences that the ones they probably would like to receive.
This was the perception I had by observing 10 persons, non actores -« normal » audience, constructing an experimental device to other 10.
Maybe because when we know the proposal and we have an interactive ideia we validate it as an excuse of the risk, without considering what this unaware test subjects might feel.
On the collective work, I guess, the study were precisely according with this, but in the opposite way: overlap the audience’s feelings and attitudes to the mechanisms success and knowing that this mechanism (no matter which) will/should move with and through the audience, and no the contrary.

Português:
●19 de Maio de 2015 – Improvisação, composição em tempo real, one time composition.
O Haim propôs-me que visse alguns vídeos de bailarinos e coreógrafos que trabalharam técnica de improvisação, composição em tempo real e one time composition, desde os anos 50 até à actualidade.
Estes vídeos foram observados pelo colectivo anteriormente, a fim de estudar dispositivos de criação e composição instantânea e tentar associá-lo ao trabalho que foi feito para o público.
Simone Forti, Steve Paxton, David Zambrano, Kirstie Simson, Daniel Lepkoff, Lisa Nelson, Julyen Hamilton e Anna Halprin foram nomes referência desta observação.
Em alguns casos mais evidentes, como Steve Paxton, o objecto de estudo é naturalmente muito mais físico, relacionado com o desenvolvimento de técnicas que predispusessem o corpo para a surpresa do improviso, tornar o “acidente” um controle e desenvolver ferramentas que permitissem o corpo proteger-se nestes momentos. Toda a criação de um “awareness” mental e físico, até dérmico, pela importância da consciência que se atribui às superfícies em contacto.
Simone Forti, por exemplo, parece mais movida por um propósito teatro/dramatúrgico, acontecendo um processo do imaginário para o corpo que se transforma numa composição por esta ordem de estímulo.
Daniel Lepkoff parte de um diálogo físico no e com o espaço e desta interacção explora a composição que cria como linguagem para dança.
Enfim, de toda uma variedade de métodos, intrinsecamente conectada com o que de pessoal o indivíduo acarreta, havendo no entanto um desenvolvimento cronológico e progressivo que acompanha as necessidades de cada estudo, precisamente.
Se quisermos aplicar isto à temática do colectivo será difícil pressupor que o público irá “criar” de antemão, sem que não tenha escolhido dedicar-se a isto com esta finalidade, uma vez que o objecto de estudo deve ser conhecido para desenvolvê-lo (parece-me…).
Então será mais um desenvolvimento de ferramentas do grupo de “artistas” de forma a incitar o mais possível o público a fazer parte. Sem que haja esta consciência de composição ou construção da parte do público, ainda que integre.
Eu espero que esta associação seja clara, na minha cabeça há conexões, mas… Muita pena se não consigo explicar, com a tradução para Inglês ainda vai ficar pior…É a vida!

Inglês:
●19th of May 2015 – Improvisation, real time composition, one time composition.
Haim proposed me to see some vídeos of dancers and choreographers that work improvisation technique, real time composition and one time composition, since 50’s until today.
This vídeos were watched by the collective before, in order to study creation and instant composition devices and try to connect them to the work made for the audience.
Simone Forti, Steve Paxton, David Zambrano, Kirstie Simson, Daniel Lepkoff, Lisa Nelson, Julyen Hamilton and Anna Halprin were reference names of this observation.
In some more evident cases, like Steve Paxton’s one, the study’s object is naturally more physical, related with the development of techniques that predispose the body for the improviser’s surprise, make the accident became controle and develop tools that allowed the body to protect itself at this moments. A whole creation of mental, physical and even dermal awareness, for the importance of conscience given to contact surfaces.
Simone Forti, for instance, seems more moved by a theatrical/dramaturgical proposal, making happen a process from the imaginary to the body that became a composition, by this order of stimulus.
Daniel Lepkoff starts by a physical dialogue with and on the space and from this interaction explores a composition that create as language for dance.
So, a whole variety of methods, intrinsically connected to what of personal each individual entails, having, although, a chronological and progressive development that accompany the needs of every study, precisely.
If we want to apply this to the collective’s theme it would be hard to assume that the audience will « create » beforehand, without deliberating to make a commitment with a subject by themselves and having the intend – thinking that the object of study must be known/decided for develop it (I believe so…).
So it might end up being as building up of tools by a group of artists in order to encourage, as much as possible, the audience to be part. Not having this construction or composition conscience by the audience, even if integrating.
I hope this association be clear, there’s connections in my head, but… So sorry if I can’t explain, the English translation it’s gonna be even worst… C’est la vie!!!

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